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terça-feira, 3 de abril de 2012

Revoada no tempo

As pombas do tempo
não nos dizem nada.
Não precisam dizer nada.

As pombas do tempo,
o mais alto espírito da religião,
Não dizem nada.

As pombas do tempo
não trazem paz
nem guerra.

As pombas não são do tempo,
elas veem o tempo passar.
Nós é que queremos que elas digam algo.

As pombas não são boas nem ruins,
estão em muitos lugares
e gostamos de acreditar nelas.

As pombas voam,
como este nosso tempo,
dizendo que é tempo de revoada.

Luiz Augusto Rocha, para Fernanda.

Poeminha de engolir sapos

Não gosto dos sapos.
Verrugosos e de olhos fixos...
O pior é engoli-los!

Luiz Augusto Rocha

O retrato na escrivaninha

Quando me olho no retrato,
os olhos fechados,
o perfil enquadrado
em escala de cinza,
não vejo mais
que a descontinuidade
do traço e do grafite.

É um tempo morto
escorrido na imagem.

- A esperança?

É que esses olhos
um dia despertem...


Luiz Augusto Rocha

Poeminha devedor

Contas a pagar, a acertar,
com o banco, com os santos...
Comigo.


Luiz Augusto Rocha