Quem passou por aqui





quinta-feira, 5 de julho de 2012

Perguntas travadas

Será que a vida é feita
de poemas,
teoremas,
problemas?

Será que são somente
palavras,
mágoas,
estradas?

Sera que pobres rimas,
línguas,
gestos,
coisas significam?

Só entendi até hoje
um pouco,
gestos,
olhares.

não entendo nada
além,
aquém
de mim.

Luiz Augusto Rocha

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Meu relógio

Meu relógio não está no pulso,
ele bate em meu peito,
controla meu tempo.
Nada tenho a fazer.

Se é tempo de tempestade,
se é tempo de temperança,
se são tempos temperados,
não sei. Ele deve saber.

Não controlo meu tempo,
o relógio controla meu tempo.
Aliás, nem sei se ele é meu,
sei que ele está em mim.

Quando vejo as horas,
vejo que passaram os anos.
Quando teimo em ver as horas,
vejo que passou menos de um minuto.

Luiz Augusto Rocha

terça-feira, 3 de abril de 2012

Revoada no tempo

As pombas do tempo
não nos dizem nada.
Não precisam dizer nada.

As pombas do tempo,
o mais alto espírito da religião,
Não dizem nada.

As pombas do tempo
não trazem paz
nem guerra.

As pombas não são do tempo,
elas veem o tempo passar.
Nós é que queremos que elas digam algo.

As pombas não são boas nem ruins,
estão em muitos lugares
e gostamos de acreditar nelas.

As pombas voam,
como este nosso tempo,
dizendo que é tempo de revoada.

Luiz Augusto Rocha, para Fernanda.

Poeminha de engolir sapos

Não gosto dos sapos.
Verrugosos e de olhos fixos...
O pior é engoli-los!

Luiz Augusto Rocha

O retrato na escrivaninha

Quando me olho no retrato,
os olhos fechados,
o perfil enquadrado
em escala de cinza,
não vejo mais
que a descontinuidade
do traço e do grafite.

É um tempo morto
escorrido na imagem.

- A esperança?

É que esses olhos
um dia despertem...


Luiz Augusto Rocha

Poeminha devedor

Contas a pagar, a acertar,
com o banco, com os santos...
Comigo.


Luiz Augusto Rocha

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Inconsequências do amor

Acredito que amei,
algumas vezes.
Amei tanto, tanto,
que me perdi
no próprio amor.

Fiquei angustiado,
estive feliz,
andei à toa
sem saber aonde ir.
Escrevi e vivi muitos clichês.

Fui bobo,
quase sempre.
fui obceno,
Ainda não sei.
Fui muitos eus...

Cada amor
era para sempre.
Todos eles findavam
antes que eu quisesse.
Então, surgia um novo eu.

Ainda me perco de amores
que me fazem feliz,
que me angustiam,
que me tornam bobo
escrevendo clichês.

A cada novo amor,
menos cabelos,
mais cabelos brancos,
tantas preocupações
e essa sensação maluca de flutuar...

Luiz Augusto Rocha

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Indefinições do amor

Ser amado,
ser bobo,
ser sisudo,
ser piegas,
ser casmurro,
ser inconveniente,
alguém para além das expectativas.

Amar,
beijar,
fazer,
receber,
compreender,
não compreender,
ir ao fundo do fundo do copo.

Penso que o amor
puro e simples
não faz nada mais
que só o amar...


Luiz Augusto Rocha

domingo, 29 de maio de 2011

Aos falsos moralistas

Não falem por mim,
Não riam do meu riso,
isso me ofende.

Baixem a voz,
deixem as facas caírem
e enxerguem a gente.

Não nos iludamos,
o pedido não será atendido,
nem negociado.

Há de ser tomado,
há de ser lutado
e assim, só assim,

uma gente diferente virá.


Luiz Augusto Rocha

domingo, 1 de maio de 2011

Poeminha descritivo

Sou jornalista formado,
um poeta-informação
iludido e em construção.

Luiz Augusto Rocha.

sábado, 26 de março de 2011

Viajem!

Adeus aos que nunca foram.
Adeus aos que partiram!
Adeus aos saudosistas?
Adeus àquele deus nosso.

Que saudade sinto
do que vi um dia...
Que saudade tenho
do que não conversamos.

De quanta saudade vivo!
Quantos momentos vivos,
quanta rima perdida,
quanta conversa não dita.

Enfim, meus caros,
quão claros os caminhos,
quantos destinos
fizeram-nos meninos.

Meu caro, que fizemos de nós?
O que estamos fazendo?
Quantas perguntas existem?
Sem respostas...

Luiz Augusto Rocha

quinta-feira, 17 de março de 2011

Observações de um forasteiro

Nesta terra movediça,
abrem-se fendas no chão,
por onde saem cavaleiros.

Arautos de si mesmos,
contentes da condição
precária e medíocre.

Arrogam-se o direito inalienável
de comer o o que sai da terra,
de beber a água do rio.

Querem convencer a todos
de que o esterco não fede
e que tudo vai bem.

E vão às suas igrejas –
fervorosos cristãos –
para agradecer suas bênçãos.

E tudo continua fedendo.
Passam perfumes,
mas, sabemos que continua fedendo.

Luiz Augusto Rocha

quarta-feira, 2 de março de 2011

Mundo

Mundo
mundo das coisas,
mundo das palavras.
Mundo.
Eu...
Mudo.

Luiz Augusto Rocha

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Conversinha

Cadê a menina
que vi aqui?
Cadê a moça
que conversei?
Cadê?


Onde fui parar?
Como nada tivesse visto
e como nada conhecesse,
fiz de mim essa nossa prosa:
conversinha de rua.


Meu bem, diga aqui
o que podemos conversar,
além do entre a manhã
e as manhas nossas,
idas no entardecer?


Pois é,
a poesia vai mais,
vai bem, bem mais,
bem  muito mais além.
Além de que, meu bem?


Luiz Augusto Rocha

Fazer o que?

Que faço eu,
que fazemos nós,

Não quero nada,
não posso quase nada,

não imagino
a poesia perfeita.

Imagine você:
o que fazemos de nós?

Cá estamos encarando
os nossos monstros,

lindos monstrinhos:
dançando conosco!

Dançando sob o sol,
dormindo sob lua,

Só sabemos brincar
com nossos monstrinhos.

Fazer o que?


Luiz Augusto Rocha

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Sempre jogo

Entre doido e doído,
uma palavra, o mundo.

Meu erro-traço
é que trago comigo
os erros que faço.

Traço sem saber,
faço sem conhecer,
conheço sem ver,

O que posso fazer,
senão, em erros tracejados,
errar sem caminho?

Eu me perco no jogo,
brincando com fogo,
De tornar-me eu mesmo!


Luiz Augusto Rocha

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Poema da saudade

Se em prosa
as palavras desarticulam,
em versos
fazem arte,
como a arte
de uma criança arteira.

E se os versos
dão ao bom-dia
um bom dia cantado,
rodemos igual a meninada
em volta da árvore.

Se tem tanta saudade,
que choremos de alegria,
que a saudade não passa.

Até porque
nossos velhos versos
saudam a saudade
com a plena certeza
de que tudo, tudo,
valeu a pena.

Luiz Augusto Rocha

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

drama & comédia

Compor um drama é fácil,
dá-se um tapa na cara
em quem jurava amar
e pronto.

Veja se do mesmo modo
procede com a comédia...
Ela requer inteligência!

Começo, meio e fim:
todas as suas tensões,
dramáticas por si,
E a comédia na distensão.

Onde eu deixei minha comédia?
– Onde se compra um drama qualquer.


Luiz Augusto Rocha

Quase-me

Fui quase um herói de guerra.
Estive quase perto do presidente.
Tive quase a grande sorte da loteria.
Escrevi quase um poema eterno,
mas que perdeu-se de si.

O que me angustia mesmo
é esquecer-me no quase,
dançando nos olhos
dos olhos alheios.

Luiz Augusto Rocha

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Reveio o Reveillon

Eu não quero a simplicidade
de um ano bom e feliz.
Eu quero a complicação
de um tempo complicado.

Eu não quero a verdade
de um dia comum.
Eu quero a ilusão
de fogos de artifício.

Eu não quero a sobriedade
de um mecânico Feliz-Data.
Eu quero o exagero
de sempre recomeçar.

Eu não quero o Reveillon
das crianças obedientes.
Eu quero, que ele venha
em mil alegrias!


Luiz Augusto Rocha, para Letícia.